Lições das contrarrevoluções – Textos do Partido Comunista Internacionalista – Programa Comunista de 1951 e 1952

O texto que segue é uma cópia digitalizada de uma rara brochura em língua portuguesa (de Portugal), publicada em 1974, contendo três textos do Partito Comunista Internazionalista – Programma Comunista (Partido Comunista Internacionalista – Programa Comunista):

* Teoria e azione nella dottrina marxista (Teoria e ação na doutrina marxista), o relatório da reunião de Roma de 1 de abril de 1951, publicado no Bolletino Interno (Boletim Interno) no 1 de 10 de setembro de 1951.

* Lezioni delle controrivoluzioni (Lições das contrarrevoluções), o relatório da reunião de Nápoles de 1 de setembro de 1951. O resumo dessa reunião apareceu no fascículo Sul filo del tempo (No fio do tempo) em 1953. Publicado no volume Partito e Classe (Partido e Classe), Ed. Il programma comunista em 1972.

* Raddrizzare le gambe ai cani (Repondo os pingos nos is), publicado na série Sul filo del tempo (No fio do tempo) em Battaglia Comunista no 11 de 1952,

Embora o curso da contrarrevolução mundial que se abateu sobre a classe proletária desde a segunda metade dos anos 19201 não tenha sido alterado em nada, na esperança de uma retomada de uma fase revolucionária como no primeiro pós-guerra2, um agrupamento de militantes da Esquerda Comunista da Itália (ligada principalmente a Onorato Damen3), em contato com elementos franceses e belgas, funda no ano de 1943 o Partito Comunista Internazionalista (Partido Comunista Internacionalista – PCInt). O partido publica o periódico Battaglia Comunista (1945) e o órgão teórico Prometeo (1946)4.

No entanto, a corrente da Esquerda Comunista da Itália ligada a Bordiga (expulso do PC da Itália em 1930 por ter defendido Trotsky), embora tenha tirado as lições dos acontecimentos que desembocaram na contrarrevolução e julgasse que a constituição do partido era prematura, e, portanto, que se devia preservar as poucas energias do proletariado para não cair no ativismo imediatista, acaba aceitando com reservas o PCInt como uma expressão real do movimento que ainda mantinha alguma ligação com o programa comunista e não podia ser ignorada. Bordiga mantém-se fora do partido até 1949, embora enviasse contribuições teóricas de modo anônimo às suas publicações.

O PCInt conheceu uma progressão significativa nos meios operários dos centros industriais, sobretudo, no norte da Itália, embora pouco significativa na França. Entretanto, a ausência do relançamento do esperado movimento revolucionário acabou precipitando a emergência de duas correntes opostas: uma agrupada em torno de Damen, de tendência voluntarista (organização de “grupos comunistas de fábrica” rejeitando os sindicatos, exigência da revisão da teoria que não havia previsto os “novos” fenômenos que ocorriam na Rússia…), e outra alinhada a Bordiga, que mostrava que não havia uma retomada revolucionária e, portanto, o trabalho do partido deveria ser prioritariamente teórico e pela formação de quadros futuros. A clivagem entre as duas correntes se aprofundou com a entrada de Bordiga no PCInt em 1949. Em 1952 consuma-se a cisão entre essas correntes, ambas reivindicando a linhagem da Esquerda Comunista italiana sob o mesmo nome de Partito Comunista Internazionalista: a tendência de Damen mantendo os órgãos Prometeo e Battaglia Comunista (Partito Comunista Internazionalista – Battaglia Comunista) e a tendência de Bordiga, que passa a publicar o periódico Il Programma Comunista (Partito Comunista Internazionalista – Programma Comunista).

Contudo, sob a pressão da contrarrevolução, o Partito Comunista Internazionalista – Programma Comunista acaba por abandonar as posições originais da Esquerda Comunista da Itália que ocupou a direção do Partido Comunista da Itália como corrente majoritária desde sua fundação em Livorno em 1921 até 1923-19245. Programma Comunista acaba sucumbindo ao revisionismo, degenerando-se cada vez mais, especialmente a partir dos anos 1960, e espatifando-se em várias organizações que reivindicam o legado da Esquerda Comunista da Itália. O órgão que publicou a versão em português das Teses de 1951, o Partito Comunista Internazionale (Partido Comunista Internacional – PCi), já em plena fase degenerada, foi a fração que reclama ser a “herdeira oficial” do Partito Comunista Internazionalista – Programma Comunista, o qual mudou de nome após a cisão provocada pela corrente Rivoluzione Comunista em 1964 autoproclamada também de Partito Comunista Internazionalista.

A decomposição do PCi levou-o ao abandono completo do esforço teórico – especialmente em relação à previsão do relançamento da revolução proletária mundial6 – e ao ativismo. Uma das consequências importantes foi a cisão de 1966, no ramo francês do partido, de duas correntes críticas ao ativismo reinante: a de Jacques Camatte – publicando a revista Invariance (Invariância) – e a de Roger Dangeville – publicando a revista Le Fil du Temps (O Fio do Tempo). Invariance, a fração mais consequente, manteve cegamente a previsão da alternativa “guerra ou revolução” para 1975 sem proceder a um trabalho de retorno teórico à análise dos ciclos e crises apoiando-se nos textos de Marx e Engels, e sucumbiu completamente à contrarrevolução. Em 1976, após uma breve passagem pelo Groupe Communiste Mondial (que se situava na continuidade de Invariance), um pequeno núcleo de militantes publica a revista teórica Communisme ou Civilisation (Comunismo ou Civilização), que no essencial constituem ainda nosso órgão coletivo Robin Goodfellow.

Em suma, a corrente agrupada em torno de Bordiga, verdadeiramente internacionalista e que por um bom período, mesmo sendo uma expressão limitada do socialismo científico, isto é, da teoria comunista, soube defender a atualidade do programa comunista frente às falsificações realizadas pelos estalinistas, trotskistas e esquerdistas de vários matizes, acabou soçobrando ao peso desta contrarrevolução que ainda perdura, abandonando de vez o ponto de vista classista do programa comunista.

Robin Goodfellow, abril de 2017

LER : Licoes_das_contra_revolucoes_final

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